SPBsb no 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise da Febrapsi – 22 a 25 de outubro de 2025

Beth Mori fala sobre sexualidades e subjetivação na abertura do Congresso da ABC

Na abertura do Congresso da Associação Brasileira de Candidatos (ABC), realizado nesta quarta-feira (22), a psicanalista da Sociedade de Psicanálise de Brasília (SPBsb), Maria Elizabeth Mori, apresentou o trabalho “Sexualidades e Subjetivação: onde se ancora a escuta do analista?”. O encontro integra o pré-congresso do 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise da Febrapsi, que acontece em Gramado (RS), entre os dias 22 e 25 de outubro.

Em sua fala, Beth Mori destacou a importância da escuta psicanalítica em nossa contemporaneidade marcada por uma complexidade das formas de desejar e viver.

A psicanalista retomou conceitos de Freud e Jean Laplanche para discutir a formação do inconsciente e o papel da linguagem e da sedução na constituição do sujeito. Em diálogo com Judith Butler e Deleuze e Guattari, refletiu sobre a produção de subjetividades e sobre a importância de uma escuta analítica sensível às transformações sociais e culturais.

Mori ressaltou ainda a relevância da formação do analista e o reconhecimento da psicanálise como um discurso situado historicamente, apontando para a necessidade de descolonizar o pensamento e abrir espaço para novas vozes e experiências.

Encerrando sua conferência, reafirmou a aposta em Eros e na escuta como forças que sustentam a prática analítica e mantêm viva a ética do encontro com o outro.

Mayarê Baldini é indicada ao primeiro lugar do Prêmio Virgínia Bicudo da ABC

Com o artigo “Caminhos para ser um corpo: transições”, Mayarê Leal Ferreira Baldini, analista em formação do Instituto da Sociedade de Psicanálise de Brasília (SPBsb), recebeu o Prêmio Virgínia Bicudo, concedido pela Associação Brasileira de Candidatos (ABC). A premiação foi entregue durante a cerimônia de abertura do 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise da Febrapsi, nesta quarta-feira (22), em Gramado (RS). O Congresso segue até o dia 25.

O artigo integra o livro “Sexualidades e Subjetivação – Onde se ancora a escuta do analista?”, lançado durante o evento, que reúne cerca de 13 textos de psicanalistas em formação, incluindo o que foi premiado de sua autoria.

Em “Caminhos para ser um corpo: transições”, Mayarê Baldini apresenta um estudo clínico com uma adolescente e, a partir de recortes de seus sonhos, discute o impacto do olhar do outro na constituição corporal e subjetiva. O texto revisita o conceito de bissexualidade psíquica em Freud, problematizando seus limites diante das experiências contemporâneas de gênero.

A autora articula essas reflexões às críticas de Judith Butler e Paul B. Preciado à cisheteronormatividade presente na psicanálise, defendendo uma escuta permeável às dissidências e à diversidade das experiências de subjetivação.

A adolescência, em sua leitura, é compreendida como um tempo de potência e reinvenção, que convoca o analista à revisão constante de seus referenciais e à sustentação do desconforto diante do novo.

Mayarê propõe, assim, um trabalho clínico radicalmente ético, sensível à multiplicidade e às urgências sociopolíticas das adolescências atuais, movimento que se fortalece quando o saber analítico dialoga com saberes marginais e coletivos.

A psicanalista da SPBsb, Beth Mori, ministrou a aula 1 do curso “Ainda Estou Aqui” ao lado de Leopold Nosek (SBPSP)

Coordenado por Gabriela Seben (SBPdePA), o curso propõe a psicanálise como prática ética e viva, capaz de se deixar afetar pela conjuntura e afirmar, diante da barbárie: “ainda estamos aqui.”

Em sua fala durante o curso, Beth Mori refletiu sobre o trauma e o acontecimento na história, na cultura e na psicanálise, tomando como ponto de partida o filme homônimo de Walter Salles (2024), inspirado na trajetória de Eunice Paiva.

A psicanalista articulou conceitos de Freud, Deleuze e Derrida para pensar o trauma como aquilo que fere e insiste em ser simbolizado, e o acontecimento como ruptura que transforma e convoca à criação de sentido. Relacionou esses temas à história brasileira e ao trauma político, abordando a importância do Observatório Psicanalítico da Febrapsi como espaço coletivo de elaboração e resistência.

Beth Mori também participou da Mesa-redonda “Gêneros plurais e transexualidades: por uma clínica psicanalítica informada”. Coordenada por Giuliana Chiapin (SBPdePA), a atividade contou ainda com palestras de Silvana Rea (SBPSP), Paula Freitas da Silva (SBPSP).

A psicanalista articulou conceitos de Freud, Deleuze e Derrida para pensar o trauma como aquilo que fere e insiste em ser simbolizado, e o acontecimento como ruptura que transforma e convoca à criação de sentido. Relacionou esses temas à história brasileira e ao trauma político, abordando a importância do Observatório Psicanalítico da Febrapsi como espaço coletivo de elaboração e resistência.

Beth Mori também participou da Mesa-redonda “Gêneros plurais e transexualidades: por uma clínica psicanalítica informada”. Coordenada por Giuliana Chiapin (SBPdePA), a atividade contou ainda com palestras de Silvana Rea (SBPSP), Paula Freitas da Silva (SBPSP).

No caso apresentado “Entre um amor e outro: travessias do desejo”, Beth Mori falou sobre a desorganização psíquica que ocorre devido as categorias fixas de identidade e desejo.

A autora abordou uma leitura psicanalítica que entende o trans como movimento e criação, articulando Freud, Laplanche, Butler e Deleuze & Guattari para sustentar a ideia de uma “trans-escuta”, uma escuta clínica ética e política, capaz de acolher o indeterminado e as metamorfoses do desejo.

Silene de Paulino Lozzi recebe prêmio nacional no 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise

Silene de Paulino Lozzi, psicanalista em formação da Sociedade de Psicanálise de Brasília (SPBsb), foi a vencedora do Prêmio João Bosco Calábria Oliveira, na categoria Analista em Formação, durante o 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise, realizado entre os dias 22 e 25 de outubro, em Gramado (RS).

O reconhecimento foi concedido ao trabalho “Persona: e as vozes do indizível do corpo feminino”, que será publicado na Revista Brasileira de Psicanálise.

No artigo, Silene apresenta uma leitura psicanalítica do filme Persona (1966), de Ingmar Bergman à luz da temática da sexualidade e da maternidade como imperativo cultural.
A partir da relação entre Alma e Elisabet – interpretada como uma construção especular e dupla imaginária – analisa-se o silêncio como resistência subjetiva frente à imposição da função materna.

O silêncio, como negativo, é discutido como expressão da recusa simbólica e tentativa de reorganização psíquica.

Persona, assim, torna-se um campo fértil para pensar o feminino para além da lógica fálica, abrindo espaço para a ética do desejo. Como um ato político, revela a insustentabilidade da maternidade como destino obrigatório e, longe de ser ausência, emerge como linguagem densa e ética, capaz de confrontar a normatividade.

A SPBsb e o Instituto Virgínia Leone Bicudo parabenizam Silene pela conquista e pela contribuição que seu trabalho oferece ao pensamento psicanalítico contemporâneo.

A psicanalista e membro associada da SPBsb, Paola Amendoeira, participou nesta quinta-feira (23) da Mesa-redonda Ubuntu – Trajetórias antirracistas no território psicanalítico

Ao lado de Wania Cidade (SBPRJ) e de Leonardo Francischelli (SBPdePA) e coordenado por Elaine Nogueira e Rosa Squeff, ambas daSBPdePA, Paola propôs uma reflexão sobre o esquecimento histórico que marca o Brasil, país fundado sobre o extermínio dos povos indígenas e a escravização de africanos. O texto que ela apresentou critica a negação dessa origem e a persistência de um “genocídio crônico” que atravessa a sociedade.

A partir das ideias de Bion, relaciona-se o apagamento coletivo a mecanismos psíquicos de defesa e regressão diante do mal-estar provocado pela diferença. Inspirada pela noção africana de Ubuntu (sou porque nós somos), Paola defendeu a resistência, a escuta e o vínculo como fundamentos de uma psicanálise viva, capaz de acolher o sofrimento social e as vozes silenciadas pela história.
Ubuntu – sou o que sou porque nós somos. “Que felicidade de nome o projeto que já nasce do reconhecimento da relação e do impacto dessa relação na formação de nós como pessoas do mundo e do mundo.

Um movimento de reparação, conceito tão conhecido e caro a nós psicanalistas, mas que agora se amplifica até chegar ao ponto de uma reparação histórica e social”, finalizou Paola.
Vale ressaltar que o projeto Ubuntu é desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre, a primeira sociedade do Brasil a oferecer bolsa para pessoas pretas.

Paola Amendoeira também coordenou a Mesa-redonda Tumultuando as Indiferenças, com os palestrantes Ignácio Paim (SBPdePA), Wania Cidade (SBPRJ) e Doea propõeDora Tognolli (SBPSP).

Paola propôs o enfrentamento das desigualdades raciais e de gênero a partir de uma escuta psicanalítica que reconhece os afetos e defesas que sustentam o racismo. Com base em perguntas, o debate buscou compreender como a branquitude, as normas heteronormativas e o ambiente simbólico descrito pela psicanálise participam da manutenção da indiferença social.

O objetivo é “tumultuar” esse silêncio, questionando como a psicanálise pode contribuir para a justiça social e para a desconstrução de violências que afetam corpos e subjetividades marginalizadas.

O trabalho “O pensamento de Freud sobre o compromisso social do psicanalista”, apresentado por Veridiana Canezin na Roda de Conversa da Comissão de Clínica Social da Febrapsi, no 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise, revisita a dimensão ética e social da psicanálise a partir da trajetória de Freud.

A autora retoma o discurso de Freud em Budapeste (1918), publicado como “Caminhos da terapia psicanalítica” , para destacar sua defesa da responsabilidade social da psicanálise e do direito universal à saúde mental.

Inspirado pelo contexto do pós-guerra e pelas desigualdades sociais, Freud passou a apoiar a criação de clínicas psicanalíticas gratuitas, como a Poliklinik de Berlim (1920) e o Ambulatorium de Viena (1922), reconhecendo que as neuroses afetavam a vida das pessoas tão gravemente quanto doenças físicas e não deveriam ser privilégio das classes abastadas.

Em sua reflexão, Freud admite a necessidade de adaptar a técnica às novas condições sociais, afirmando que talvez fosse preciso “fundir o ouro puro da análise com o cobre da sugestão” , sem, contudo, abrir mão do rigor teórico e ético da psicanálise. Essas clínicas também se tornaram espaços de formação de novos analistas, unindo prática e ensino.

A apresentação de Veridiana enfatizou que, ao reconhecer que “a realidade psíquica não existe num vazio” (Mezan, 2002), a psicanálise se compromete com a escuta do sofrimento em seu contexto histórico, social e cultural.

O compromisso ético do psicanalista, portanto, não se restringe ao consultório: implica ampliar o acesso à escuta analítica e reafirmar a potência da cura pela palavra como instrumento de emancipação e transformação social.

Paola Amendoeira aborda racismo na clínica psicanalítica e sexualidade durante mesas do 30º CBP

A psicanalista da SPBsb, Paola Amendoeira, participou nesta sexta-feira (24) da Mesa-redonda de apresentação de caso clínico, onde abordou o racismo na clínica psicanalítica. Os psicanalistas Cláudia Carneiro (SPBsb) e Ignacio Paim (SBPdePA) comentaram o caso.

Na clínica, as questões raciais não estão fora da sala de análise, elas atravessam o encontro, mesmo quando analista e analisando compartilham da mesma cor de pele.

Entre uma dupla branca, o trabalho passa por reconhecer o lugar do olhar branco: o que ele não percebe, o que evita, o que silencia.

É um exercício de escuta que convida a incluir o tema racial na história de cada sujeito, sem cair na moralização, sem negar, mas abrindo espaço para que o racismo possa ser pensado.

A psicanálise, nesse sentido, não propõe respostas prontas.
Ela propõe trabalho psíquico, um modo de olhar para si e para o outro que permita elaborar o que, muitas vezes, foi apenas repetido.

Pensar o racismo na clínica é também repensar o próprio ato de escutar.

Paola participou também da mesa “Sexualidade e Estigmas – O outro como expressão do ódio”, onde se discutiu como a sexualidade, ao atravessar temas de identidade, controle social e repressão, se torna um eixo central na formação do estigma e na produção do ódio ao outro. Inspirando-se em Simone de Beauvoir, a psicanalista abordou o ódio como parte constitutiva da alteridade, a identidade do “eu” e dos grupos só se consolida ao definir um “outro” contra o qual se opor.

Com base em referenciais psicanalíticos, o trabalho apresentado analisa como mecanismos de defesa, como projeção e identificação projetiva, transformam diferenças em ameaças. A partir das formulações de Melanie Klein, explica-se que a dificuldade em integrar aspectos bons e maus do mesmo objeto mantém a cisão entre “nós” e “eles”, perpetuando o medo, a violência e a exclusão.

O conceito de racismo interno, desenvolvido por Fakhry Davids, é central na reflexão. Ele propõe que o racismo está enraizado em estruturas psíquicas normais, funcionando como uma defesa contra ansiedades primitivas. Essa organização interna cria uma estrutura paranoide “nós-eles”, projetando no outro racial aspectos intoleráveis do self e sustentando hierarquias sociais e emocionais.

O texto também examina como essa dinâmica se forma na adolescência, quando preconceitos incipientes se transformam em discriminação e violência, reforçando a identidade grupal e o sentimento de pertencimento.

Por fim, na clínica psicanalítica, autores como Anton Hart destacam a importância da abertura radical ao outro, reconhecer o diferente não apenas como depositário de partes indesejadas do eu, mas como alguém que revela verdades inconscientes sobre nós mesmos. O desafio ético e emocional do analista é enfrentar seus próprios preconceitos e fantasias racistas inconscientes, abrindo espaço para uma escuta genuinamente transformadora, tanto no campo individual quanto institucional.

Cláudia Carneiro participa da mesa Bissexualidade em cena, ou encena?

Durante a atividade, a psicanalista da SPBsb apresentou “A bissexualidade na constituição psíquica”

A psicanalista da SPBsb, Cláudia Carneiro, participou nesta sexta-feira (24) do diálogo interdisciplinar “Bissexualidade em cena, ou encena”, onde apresentou o trabalho “A bissexualidade na constituição psíquica”. A atividade foi coordenada pela psicanalista Maria Teresa Lopes (SBPRJ) e contou também com a interlocução de Letícia Neves (SBPRJ) e do cineasta e ator Pedro Urizzi, de São Paulo.

Durante o encontro foi transmitido o filme “Passages”, de Ira Sachs. Pedro Urizzi comentou a obra com seu olhar para a câmera do diretor Sachs que focaliza os aspectos estéticos e psicológicos das personagens. Segundo Teresa Lopes, “a mesa foi pensada a partir do filme para embasar a discussão sobre a bissexualidade, entendida pela cultura, pelo social e pela psicanálise, além de permitir a melhor caracterização de lugares e campos de conhecimento e de como esses campos se juntam”.

A fala de Cláudia Carneiro, baseada no trabalho “A bissexualidade na constituição psíquica”, propôs uma reflexão sobre a bissexualidade psíquica como elemento fundamental da constituição da subjetividade e da capacidade humana de reconhecer e acolher a diferença.

Inspirada em Freud e em autores contemporâneos como Letícia Glocer Fiorini, a autora argumentou que a bissexualidade psíquica pode ser compreendida como um trabalho psíquico de mediação dos processsos subjetivos. Ela se inscreve no psiquismo desde as primeiras relações com os objetos parentais.

Essas experiências iniciais, com a mãe, o pai ou seus substitutos, moldam os caminhos identificatórios e a formação do espaço interno do sujeito. Quando bem integradas, permitem a convivência psíquica de um e outro objeto, abrindo espaço para a alteridade. Quando não o são, podem gerar dificuldades em aceitar o outro como diferente e separado de si.

A autora destacou a importância de diferenciar diversidade (as múltiplas formas de viver gênero, desejo e identidade) e diferença (em sua dimensão simbólica, o reconhecimento fundamental da alteridade). Assim, a constituição do sujeito transcende o binarismo masculino-feminino, apoiando-se na capacidade de integrar o diferente dentro de si e reconhecer o outro como radicalmente distinto.

Por fim, Cláudia Carneiro apontou que a bissexualidade psíquica é um trabalho de integração permanente, essencial para o desenvolvimento emocional e para a construção da singularidade, aberta à diferença e à complexidade dos vínculos humanos.

No 30º CBP, Luiza Gastal (SPBsb) apresenta “Da cisão moderna à com-Paixão matricial: o (re)encontro com o mundo não humano”

Durante o 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise da Febrapsi, a psicanalista da Sociedade de Psicanálise de Brasília (SPBsb), Maria Luiza Gastal, participou da Mesa Redonda “Colapso e Meio Ambiente: um Olhar Psicanalítico”. Ela apresentou o trabalho “Da cisão moderna à com-Paixão matricial: o (re)encontro com o mundo não humano”.

A atividade foi coordenada pelo psicanalista Jair Knijinik (SPPA) e contou também com a apresenação do trabalho da psicanalista Katia Radke (SPPA). Os dois trabalhos foram comentados pelo psicanalista Cesar Brito (SPPA).

O texto de Maria Luiza, “Da cisão moderna à com-Paixão matricial”, propõe uma reflexão psicanalítica sobre a separação entre humanos e o mundo não humano — a natureza — e como essa cisão molda nossa subjetividade.

A autora parte da crítica à modernidade, que instituiu uma lógica de dominação sobre a natureza e os corpos femininos, consolidando uma visão patriarcal e racionalista. Freud é citado como representante dessa separação, enquanto autores como Klein, Winnicott e Ferenczi oferecem alternativas mais integradoras.

Ela destaca Harold Searles por sua contribuição à compreensão do papel do ambiente não humano na formação psíquica e nos transtornos mentais, especialmente na esquizofrenia. Ele também analisa os efeitos inconscientes da degradação ambiental, associando a apatia diante da crise ecológica a defesas psíquicas em diferentes estágios do desenvolvimento.

A autora introduz o conceito de “petro-masculinidade”, cunhado por Cara Daggett, que descreve uma identidade masculina baseada na dominação da natureza por meio dos combustíveis fósseis, associada à virilidade e ao controle.

Para superar essa lógica binária e dissociativa, Gastal recorre às ideias de Wendy Hollway e à teoria matricial de Bracha Ettinger, que propõe uma origem da subjetividade na experiência pré-natal, marcada pela com-paixão matricial — uma ética relacional baseada na conexão e no “sentir-com” o outro. Essa perspectiva permite transcender o binarismo de gênero e reconhecer que todos os seres humanos podem acessar essa camada matricial da subjetividade, independentemente do corpo que habitam.

Maria Luiza propõe que ao integrar essas abordagens, a psicanálise pode ampliar sua escuta, reconhecendo o impacto do ambiente não humano na constituição do sujeito e propondo uma ética baseada na com-paixão como resposta à crise ecológica. Escutar a dor e a beleza do mundo é também escutar o que há de mais humano em nós.

Maria Luiza e Kátia, que é presidente da SPPA, também anunciaram que a SPBsb e a SPBRJ, com o apoio de outras federadas da Febrapsi, dentre elas a SPPA, estão propondo a criação de uma Comissão de Psicanálise, Clima e Vida, visando compreender os impactos psiquicos trazidoss pelas mudanças climáticas e catástrofes, como a ocorrida em 2024 no RS.

A comissão, cuja proposta de criação está sendo su bmetida na próxima assembleia da Febrapsi, também permitirá pensar como a psicanálise pode ampliar sua teoria e a escuta analítica, assim como uma refletir sobre seu papel no campo social, diante dessas sérias ameaças.


Psicanalistas da SPBsb debatem a confiança, o ambiente e a escuta como experiências reparadoras, na análise e na vida a partir de Virgínia Biculo e Adelaide Koch

“Virginia e Adelaide: olhares e interrogantes”. Esse foi o tema do Diálogo Interdisciplinar entre as psicanalistas Paola Amendoeira (SPBsb), Ane Marlise Port Rodrigues (SBPdePA) e Maria José Tavares Barbosa Irmã (SBPSP), que aconteceu neste sábado (25), último dia do 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise da Febrapsi. A atividade foi coordenada por Cláudia Carneiro, psicanalista da SPBsb.

De acordo com Paola Amendoeira, há em Virgínia Leone Bicudo um paradigma importante. É preciso conversar sobre trauma, sobre racismo e sobre a experiência e a vivência do pai da psicanálise. “Virgínia rompe com o pacto patológico e social demonstrando pioneiramente a percepção inconteste da existência de uma discriminação específica, fundada no preconceito de cor”.

Virgínia Leone Bicudo, mulher, negra, educadora sanitária, socióloga, psicanalista e visitadora psiquiátrica. Ela foi, possivelmente, a primeira mulher brasileira a deitar no divã de um psicanalista da Associação Psicanalítica Internacional (IPA), a fim de iniciar seu processo de tratamento. Com isso, foi também a primeira pessoa não médica a completar o treinamento e a se tornar uma psicanalista da IPA no Brasil, pioneira da psicanálise brasileira e fundadora da Sociedade de Psicanálise de Brasília, entre tantas outras realizações.

“Não sabemos e nunca saberemos o quanto e o que elas conversaram. Mas na ficção esse ponto da confiança construída mutuamente na sinceridade de ambas foi uma tônica muito bem trabalhada pelo diretor do filme. E desde a primeira vez que o assisti, os pensamentos e reflexões em relação análise mútua ocuparam a minha mente”, observou Paola Amendoeira.

Sua trajetória é um marco na história da psicanálise e da luta antirracista e tornou-se filme. Virgínia rompeu com o pacto de silêncio ao reconhecer o racismo como estrutura que atravessa o sujeito e a sociedade, abrindo caminho para pensar trauma, memória e exclusão sob novas perspectivas.

Sua obra e legado nos convidam a refletir sobre a confiança, o ambiente e a escuta como experiências reparadoras, na análise e na vida.


Mulheres Brasileiras: o tumulto das diferenças em cena

No terceiro dia do 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise, em Gramado, a mesa-redonda “Mulheres Brasileiras: tumulto das diferenças” reuniu as psicanalistas Maria Nilza Mendes Campos (SPBsb), Alice Lewkowiski (SPPA) e Suzana Muzkat (SPBSP), sob coordenação de Maria Luiza Alvarenga (SBPRJ).

Em sua apresentação, Maria Nilza Mendes Campos abordou, a partir de um atendimento clínico, como o legado colonial segue moldando as relações de trabalho e cuidado no Brasil.

Hierarquias de classe, gênero e raça sustentam formas sutis de dominação, inscritas no cotidiano, que produzem sofrimento e adoecimento.

A escuta analítica, destacou Nilza, pode abrir espaço para que o sujeito reconheça sua potência e elabore novos caminhos de autonomia, um gesto que, ao mesmo tempo, denuncia e transforma as marcas da desigualdade.


Érika Reimann apresentou neste sábado o trabalho “O lado obscuro do infantil”

A psicanalista Erika Reimann, membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília (SPBsb), apresentou, neste sábado (25), o estudo “O lado obscuro do infantil” durante a sessão de Temas Livres — Mesa 32: Psicanálise e Clínica de Criança / Pesquisa em Psicanálise, no Congresso Brasileiro de Psicanálise da Febrapsi, realizado de 22 a 25 de outubro, em Gramado (RS).

No artigo apresentado, Erika aborda os desafios dos atendimentos infantis no período pós-pandemia. A autora discute como o isolamento intensificou a percepção da agressividade infantil como algo ameaçador para os adultos responsáveis por cuidar e educar.

A partir das contribuições teóricas de Freud, Klein, Segal e Winnicott, Reimann relata a experiência clínica com um paciente de nove anos, destacando os impasses e as dificuldades de adentrar o mundo psíquico primitivo da criança.

O trabalho ressalta ainda a relevância da análise pessoal da analista como recurso essencial para reconhecer e lidar com seu próprio lado obscuro, criando, assim, espaço interno para acolher o sofrimento da criança e o próprio

Um olhar sensível e profundo sobre a infância e o trabalho analítico.

Soluções eróticas: do Édipo à polis – estratégias de sobrevivência na psicanálise

No terceiro dia do 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise, em Gramado, a psicanalista Maria Elizabeth Mori (SPBsb) apresentou o trabalho “Soluções eróticas: do Édipo à polis – estratégias de sobrevivência na psicanálise contemporânea”, durante a mesa Soluções eróticas: estratégias de sobrevivência.
Partindo da tragédia de Édipo, Beth Mori revisitou o mito que funda a escuta psicanalítica para pensar os desafios da psicanálise contemporânea.

O percurso teórico atravessou Freud, Butler, Irigaray, Kristeva, Laufer, Deleuze e Guattari, entre outros autores que ampliam o campo da diferença e do desejo.

A psicanalista destacou que o Édipo não é apenas drama familiar, mas também político e coletivo, um espelho das tensões que habitam as instituições e a cultura. Nesse sentido, as “soluções eróticas” aparecem como modos criativos de sustentar o laço, o pensamento e a vida em tempos de retraimento e intolerância.

Mori propôs incluir na formação psicanalítica dois novos eixos: o da vida institucional e o da inserção na cultura e na comunidade, espaços onde o Eros circula coletivamente, abrindo a psicanálise à polis e à responsabilidade ética e política do seu tempo.

A construção do psiquismo e a ação da parentalidade nos processos de diferenciação

No último dia do 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise, em Gramado, a psicanalista Cláudia Carneiro (SPBsb) apresentou o trabalho “A construção do psiquismo e a ação da parentalidade nos processos de diferenciação”.

A partir das investigações sobre a constituição psíquica e o impacto da presença do adulto sobre o corpo e a sexualidade do bebê, Cláudia Carneiro destacou a importância da experiência da parentalidade na transmissão psíquica, processo inevitável que ocorre, consciente ou inconscientemente, entre o cuidador e a criança.

A partir das investigações sobre a constituição psíquica e o impacto da presença do adulto sobre o corpo e a sexualidade do bebê, Cláudia Carneiro destacou a importância da experiência da parentalidade na transmissão psíquica, processo inevitável que ocorre, consciente ou inconscientemente, entre o cuidador e a criança.

Ao articular a teoria tradutiva de Laplanche e o conceito de função alfa de Bion, a psicanalista explorou como as mensagens enigmáticas do adulto e a capacidade materna de transformar experiências brutas em pensamento são fundamentais para a formação do psiquismo e para o processo de diferenciação do sujeito.

O homem hoje: masculinidade sob o olhar psicanalítico

No último dia do 30º Congresso Brasileiro de Psicanálise, em Gramado, a mesa-redonda “O homem hoje: masculinidade sob o olhar psicanalítico” reuniu os psicanalistas Alexandre Pantoja (SPBsb), Leonardo Siqueira Araújo (SBPMG) e Gabriel Rivera (APCh – Chile), sob coordenação de Márcia Gonçalves Padilha (SPPA).

Em sua participação, Alexandre Pantoja trouxe uma proposta performática e provocadora.


Ao som de “Super-homem, a canção”, de Gilberto Gil, e “Masculino e Feminino”, de Pepeu Gomes, o psicanalista realizou uma transformação simbólica, trocando a roupa masculina por feminina diante do público.

O gesto, poético e político, convidou à reflexão sobre as construções sociais e psíquicas da masculinidade e sobre os limites e possibilidades do ser homem hoje. Na fronteira entre corpo, linguagem e cultura, a performance abriu espaço para pensar o que pode emergir quando o sujeito se autoriza a atravessar os contornos do gênero e do imaginário normativo.

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